E vivam os métodos de avaliação...
Nas idas e vindas de ônibus por aí, meio difícil passar em branco pelos cartazes da Prefeitura de São Paulo anunciando a prova que avaliará o nível dos alunos da rede municipal de ensino e "ajudará a melhorar o ensino e as escolas".
Ah, tá. OK. Tenho absoluta certeza de que a tal da prova vai saber avaliar com precisão que o aluno criou, no ambiente escolar, autonomia de aprendizado, liberdade interpretativa, raciocínio crítico. Muito embora este último seja facilmente adquirido na rede pública de ensino; na primeira semana você já consegue criticar pelo menos meia dúzia de coisas que não funcionam.
Mas não estou falando disso. Estou falando de capacidades que não se perdem ao longo do tempo, como algumas coisas oferecidas no ensino estritamente formal (exemplo clássico: fórmulas de Física). Talvez sejam as tais habilidades transversais, eu não sei bem o termo para isso, confesso - como jornalista, minha especialização em generalidades não chegou a esse patamar...
O ensino formal - as matérias clássicas, o currículo tradicional - é sim importante, é sim necessário. Mas não compreendo o porquê de o que existe além da "bitola" ser tão desvalorizado, quando é necessário inclusive para que o aprendizado formal seja bem-sucedido.
Uma pessoa sem autonomia de aprendizado será capaz de levantar questões sobre o que lhe é passado em aula? Será capaz de buscar outras referências para ter visões múltiplas sobre um assunto? Coisa que, aliás, depende também de uma mente com liberdade interpretativa - se ela não existe, como questionar o conteúdo (ou a forma) que é oferecido? Como sair da posição passiva de quem espera uma opinião, uma postura a seguir?
Minha inclinação, neste momento, é cair no velho clichê do "sem isso, ninguém é cidadão de verdade". Mas como ideal não leva a muitos lugares ultimamente, vou partir pro lado pragmático da coisa: sem isso, não há educação formal que leve muito longe no mercado de trabalho. O sujeito fica condicionado a uma coisa, a uma função, e só. Fica condicionado ao que "aprendeu" e só. A tal da atualização contínua, importantíssima, muitas vezes - e talvez na maioria delas - depende justamente de autonomia de aprendizado, de capacidade crítica.
Autonomia de aprendizado pra por exemplo fazer cursos a distância, mais baratos ou mesmo gratuitos (meu mais recente achado são os do MIT). Capacidade crítica para avaliar se os cursos vão lhe servir, ou se a empresa de cadastro de currículos "gratuito" não é picareta...
E me parece que esse tipo de coisa não só não é avaliada por essas provas como também não é devidamente trabalhada, sobretudo na educação pública, que se pretende melhorar a partir de questionários...









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